1. Chapter 1 (1/2)
disclaimer: jack frost e elsa no me pertencem, assim como a origem dos guardies e frozen. fao este fic sem fins lucrativos, apenas por diverso.
uma lem
ana na neve
já fazia mais de dez anos que andava daquele jeito, incapaz de ser visto por qualquer pessoa que o cercasse. ninguém sabia quem ele era… nem ele mesmo sabia quem era. so sabia o que o homem na lua tinha lhe dito. jack frost. ele era jack frost… e quem era jack frost? ninguém mais sabia. já tinha feito de tudo para tentar chamar a ateno das crianas, dos adultos, tinha levado diverso em vários lugares, conhecido inumeras pessoas e acompanhado vidas de crianas que no podiam enxergá-lo por mais que se esforasse. como fazê-los acreditar? no sabia… mas continuaria a se esforar nem que durasse uma vida inteira. ou uma eternidade, afinal… além de ser invisivel, era como um imortal. passeando entre os lugares, os tempos e as vidas alheias, deixando apenas um rastro de neve e uma lem
ana divertida que logo se esvairia como os cristais de gelo com a chegada da primavera.
mas foi numa dessas passagens que algo lhe chamou ateno. que ela lhe chamou ateno. no era inverno, e por mais que tentasse, no tinha como fazer com que as pessoas daquele pequeno reino lhe notassem. arendelle. um lindo reino… e duas lindas princesas. estava olhando através da enorme janela de vidro quando viu aquela bola de neve se formar na mo dela. arregalou os olhos, o sorriso alargando em seu rosto jovial. ento ela também podia usar neve? talvez ela pudesse vê-lo! talvez pudesse ajudar todos os outros a vê-lo! ela podia ser vista, no podia? por que ele no tinha o mesmo poder?!
atravessou a janela, a neve se formando sob seus pés e seu cajado, a excitao crescendo dentro do peito com aquela possibilidade unica de sua existência. as risadas apenas o enchiam de conforto e alegria, a diverso das duas crianas era mais do que ele precisava para se sentir bem… e quando estava proximo o suficiente, parou.
ela tinha virado em sua direo. a mais nova também, mas elas viam apenas a parede além dele, e continuavam olhando ao redor e
incando com a neve que era produzida por aquelas pequeninas mos em forma de montanhas, bolas, bonecos. ele sabia que o olhar delas no era para ele… já estava acostumado com aquela sensao, de ser observado através. sorriu conformado, e pelo menos com a viso da diverso das duas crianas, sentou-se no cho que ela tinha congelado com o pé, a
aado em seu cajado e continuando a olhá-las com um sentimento acolhedor.
– no importa mais, no é? depois de dez anos assim… no esperava que pudesse me ver. – comentou, agarrando as pernas e apoiando o queixo no joelho, virando o rosto na direo da janela grande que mostrava o dia nascendo. a lua no estava lá. e mesmo que estivesse, bom… o homem no o responderia, como sempre. – por que fez isso comigo? no é justo… ela também tem os mesmos poderes que eu, mas ainda assim, todos podem vê-la.
virou-se rapidamente na direo delas, sentindo um extremo desconforto quando as meninas, patinando no gelo, o atravessaram sem sequer imaginar sua presena. a respirao se tornou ofegante e o que achava ser seu corao acelerou as batidas. levantou-se, comeando a observá-las de longe.
– mas de qualquer jeito… talvez se eu ficar por aqui tempo o suficiente… ela possa me notar? – comentou, mais ao seu proprio cajado, como se fosse seu unico amigo naquela década longa e solitária.
sorriu mais animado. no podia desanimar com qualquer possibilidade, tinha que continuar trazendo neve e alegria às crianas… sabia que se fizesse aquilo, poderia ser notado. um dia eles poderiam lhe ver também, e acreditar em tudo que fazia por elas.
diferente dos outros reinados e lugares, gostou de passar mais tempo ali. era divertido acompanhar as
incadeiras na neve daquelas duas irms. era divertido notar como os poderes dela se desenvolviam e se tornavam cada vez mais belos, cada vez mais fortes e precisos. ia e voltava ao castelo sempre que possivel, deixava um rastro de neve por onde passava e ouvia comentários so
e os cristais que surgiam até mesmo no vero. ria com as
incadeiras, era um lugar divertido, mesmo que ele no pudesse ser visto nem acreditado. convenceu-se de que ninguém poderia acreditar nele para trazer neve se havia uma pessoa real bem ali, crescendo mais bonita a cada dia, e capaz de fazer exatamente o que ele fazia: trazer neve e felicidade para as pessoas ao redor.
até aquele dia.
entrou pela janela, como de costume, mas as coisas no estavam divertidas como sempre. havia choro e desespero… havia um acidente e uma garotinha desacordada.
aproximou-se de elsa, abaixando-se ao lado dela enquanto o local congelava ainda mais diante de suas lágrimas incessantes, levantando a mo até os cabelos dela e olhando para a expresso adormecida de anna.
– vai ficar tudo bem, elsa, no se preocupe, vai ficar tudo bem… – esboou um sorriso forado, tentando tocar na testa de anna. mas ele era apenas frio e distante, e invisivel. engoliu em seco, a menina ainda aos prantos, forando ainda mais o sorriso. – no chore, elsa, eu estou aqui, eu sempre estive! desculpe por no chegar a tempo… mas a anna vai ficar bem, você vai ver! sua mágica é mais bonita que a minha, no tem como ela no ficar bem. ela vai voltar ao normal e vo se divertir juntas de novo, na neve de vero, como sempre!
deixou uma risada forada escapar. ela no podia vê-lo. nem ouvi-lo, e a unica coisa que preencheu o salo foram os soluos desesperados da criana enquanto no recebia ajuda. levantou-se, tentando sorrir, tentando olhar ao redor, dar alguma indicao de que estava por ali, de que ela no estava sozinha. levantou o cajado e apontou na direo das montanhas de neve, fazendo as mesmas comearam a se desmanchar.
– veja, elsa, eu estou aqui…!
ela no pde ver. os pais dela tinha entrado no salo, e a neve descendo no podia ser mais insignificante para eles naquele momento. sairam correndo, ao menos eles também sabiam que ia dar tudo certo. sentiu a respirao ofegante de novo e o vazio tomar conta no so do lugar, mas dele mesmo. como poderia mostrar a ela que estava ali? que sempre estivera? olhou ao redor, e antes que percebesse, um grito escapou de sua garganta… incapaz de que
ar o silêncio do local.
saiu do castelo, procurando algum lugar distante. deixou o rastro de neve pela vila de novo, pela superficie da água e se perdeu por uns instantes que pareceram horas… dias… no topo daquela montanha gelada. se era para no ser visto nem notado, era melhor estar num lugar em que no houvesse ninguém para ouvi-lo, no era? mesmo depois de dez anos, era to dificil se acostumar com aquela solido.
no soube quanto tempo tinha se passado. no contava mais os dias depois de desco
ir que no poderia mais envelhecer. no contava mais os anos. voltou ao castelo apenas quando teve certeza que podia esboar outro sorriso, que elas pudessem vê-lo ou no, no importava… queria ver a alegria delas e compartilhar da diverso na neve.
mas estava tudo diferente.
elas no estavam mais juntas. e o quarto tinha se tornado uma priso. aproximou-se de elsa junto à janela do quarto, sem entender o que estava acontecendo. a expresso dela era de extrema tristeza e conformao, os olhos grandes observando a cidade lá fora, como se fosse simplesmente impossivel alcaná-la.
– elsa… o que aconteceu? por que no está com a anna? – perguntou, sabendo que no haveria uma resposta. o dia comeava a nascer também, mas mais do que a neve nas mos dela, havia neve lá fora.
ouviu as batidas na porta do quarto e a voz animada da irm mais nova. sorriu largamente, levantando-se e num salto alcanando a porta do mesmo.
– veja, elsa! a anna! eu disse que ela ia ficar bem! vamos
incar na neve…! fazer novos bonecos e montanhas de gelo e uma enorme pista de patinao, vai ser incrivel! hahaha–!
– vai embora, anna.
o sorriso sumiu automaticamente de seu rosto, virando-se para elsas depois de todas as piruetas e saltos que tinha dado no quarto com a possibilidade de irem até o grande salo, congelá-lo e se divertir na neve. como sempre.
– por que? por que a mandou embora, elsa? – aproximou-se da menina que se sentava à beira da cama, a cabea baixa, os olhos lacrimejantes.
ajoelhou-se diante dela, observando-a de baixo, os olhos infantis atravessando-lhe facilmente e encarando apenas o cho de madeira do quarto grande e vazio. as pequenas mos estavam juntas diante do corpo, so
e as pernas que mal tocavam o cho. mal percebeu que estava refletindo a expresso de tristeza dela, e por mais que tentasse esboar um sorriso, foi em vo.
– o que aconteceu com você, elsa?
no havia mais neve nem diverso, no havia caras felizes nem sorrisos. o castelo estava mais vazio do que ele jamais tinha visto e toda a animao das duas tinha restado apenas em anna, tentando constantemente tirar a irm do quarto e
incar de qualquer coisa. era sempre em vo. so entendeu o que estava acontecendo naquele dia… as luvas.
– por que está fazendo isso com ela?! – a voz es
avejava no quarto, incapaz de atrapalhar o diálogo simples que o rei tinha com sua filha. as luvas vo ajudar, ele dizia… enco
ir… no sentir. – ela no precisa esconder os poderes! no está vendo como eles so magnificos?! no está vendo como faz mal a ela?! você devia ser o pai dela! devia se importar!
era impossivel, no podia convencê-los, no podia se fazer presente.
adou o cajado e o cho diante dos pés dela se congelou. a expresso do rei foi de surpresa ao se afastar. a expresso de elsa foi de temor.
– afaste-se, papai! no quero machucá-lo!
arregalou os olhos diante da expresso dela. num salto, estava ao lado da jovem de novo, sem que ela pudesse vê-lo, senti-lo ou ouvi-lo.
– no, elsa! no foi você! fui eu… eu fiz isso, está vendo?! você no tem culpa… seus poderes so bons, no precisa escondê-los, vamos, por favor, lem
e-se de como era divertido
incar com a anna! eu nunca vi dias mais divertidos do que os de vocês duas! por favor, lem
e-se…!
ela acalmou a respirao, e o rei, naquele instante, pode apenas se retirar do quarto, a menor tentativa de se aproximar dela a fazia se afastar, e no importava o quanto ele insistisse que os poderes no fariam mal… ela no conseguia ouvi-lo.
nada mudava naqueles dias e noites. acompanhava anna pelo castelo, sorria com a diverso dela… mas no era o mesmo sorriso de sempre. elsa ainda estava lá, presa, com a neve cercando-a e aumentando com o seu medo de ferir os outros. era frustrante no poder ajudá-la. outro grito desesperado escapou de sua garganta quando estava na torre mais alta do castelo, sob a luz da lua cheia refletindo so
e o lago que cercava uma das fronteiras de arendelle.
– por que no me responde, homem da lua?! por que elas no podem me ver?! mesmo que no possa me ver… faa alguma coisa por ela, você pode, no é? ela tem poderes iguais aos meus… todos podem vê-la, por que no é o mesmo comigo?! – reclamou, o cajado sendo apontado de um lado a outro, inquieto, mexendo nos cabelos curtos. – mesmo que no possam me ver… você pode ajudá-la, no pode? como me ajudou. ela precisa de sua ajuda, mais do que eu. no me importo se ninguém nunca acreditar em mim. faa isso… ajude-a.
mas o homem na lua nunca respondeu, e também no surgiu para ajudar. a alegria e animao de anna se tornavam menores quando ele estava perto de elsa, quando estava preocupado com a vida trancafiada dela. fazia-lhe companhia, lia livros com ela, sentava à beira da lareira na esperana de que os poderes no se manifestassem com mais fora.
– eu sinto tanta falta, anna… – a voz dela era mirrada, quase impossivel de se ouvir.
– eu também sinto falta, elsa. – ele respondia, sentado ao lado dela, sem poder lhe dar qualquer calor, sem poder lhe dar qualquer conforto. – eu prometo… que vou fazer de tudo para que volte a sorrir. de verdade.
estendeu a mo até o topo da cabea da criana. mas ela no podia senti-lo. sorriu foradamente de novo, um sorriso que no podia ser visto. e em alguns minutos, ela estava adormecida.
antes mesmo que pudesse perceber, anos tinham se passado. para ele, era insignificante. para elsa… significava mais poderes que no podia controlar.
– você precisa praticar, elsa! vamos lá, vamos
incar na neve! a anna está louca para
incar com você também! – repetia constantemente, pulando de um lado a outro do quarto, o sorriso mais fácil estampado em seu rosto enquanto a jovem princesa se limitava ao seu mundo sem sentimentos. – eu prometo que dessa vez vou protegê-la, já disse! no vai acontecer nada de ruim a vocês, por favor… acredite em mim. acredite.
como acreditar em algo desconhecido? sabia que ela nunca o notaria. mas no desistiria… menos ainda quando ela ficou ainda mais sozinha. incapaz de se aproximar da irm, sem o conforto dos pais. encostou-se à porta do quarto junto a ela, olhando-a com o mesmo olhar de pesar.
– vá até ela, elsa. por favor, a
a a porta. – pediu, o tom to inconstante quanto o de anna, que a chamava insistente do outro lado, a voz embargada. – você no precisa ficar sozinha… no vou deixá-la sozinha, mas você no pode me ver. vá até sua irm… queria que pudesse lem
ar como vocês eram as garotas mais felizes que já vi em toda a minha existência. so a
ir a porta…
estendeu a mo, fazendo com que os flocos de neve surgissem diante dela, subindo levemente em espiral na direo da porta. ela arregalou os olhos e soube que tinha errado. achava que ela mesma tinha feito aquilo. levantou as mos em suas luvas e fez com que os flocos de neve sumissem, erguendo-se em seguida e correndo até o outro lado do quarto, jogando-se na cama.
– por que?! por que isso tinha que acontecer comigo?! – as lágrimas escorreram do rosto da princesa até o travesseiro, e ele sentiu o desespero atingi-lo de novo, tentando forar um sorriso.
– no foi você elsa, eu já disse! os poderes no so ruins! me oua, por favor, eu sei que você pode! – circulou a cama dela, sem poder fazer qualquer magia de gelo. respirou ofegante, tentando manter o sorriso no rosto. – saia desse quarto, elsa… saia…
ela no saiu. nem naquele dia, nem no seguinte, nem no outro. dois anos foram necessários. dois longos anos que tinham se passado mais lentamente que os mais de vinte anos de sua existência. mas pareceram apenas dias diante da animao de anna, da coroao de elsa. correu pelo castelo com a mais nova, pulou nas escadas e corrimes, deu risadas exageradas. ela estava certa, por uma vez na eternidade. so uma vez. ela so precisava de uma vez!
voltou ao quarto de elsa quando ela já estava preparada, quando suas mos seguravam o candela
o e a caixinha de ouro. sorriu largamente, parando exatamente atrás da jovem, estendendo as mos sob as dela.
– no se preocupe, eu vou estar com você, vai ficar tudo bem, vai ver… – disse, o sorriso enorme no rosto, mesmo que ela tivesse largado os objetos que comeavam a congelar. – você so precisa de uma chance. pra ver que tudo vai ficar bem, vai ver, eu prometo!
queria que ela pudesse ter ouvido suas palavras. queria que qualquer um tivesse dito aquilo à ela. mas ninguém podia. so ele sabia dos poderes dela daquela vez. ela podia fazer aquilo, tinha certeza. tanta certeza que no podia conter a animao.