1. Chapter 1 (1/2)
notas: fanfic comemorativa de natal (2017) e uma pequena homenagem a seiji yokoyama, que infelizmente nos deixou este ano.
a arte de propagar a paz
coisas simples podiam se tornar verdadeiras bolas de neve gigantes, principalmente com pessoas to distintas como os cavaleiros de ouro. shun sentiu o peso disso depois de passar por três tensas reunies com servos do santuário, temerosos de um novo confronto com poseidon depois de receberem uma mensagem de sorento de sirene. era a respeito de uma solicitao para encontrar o recém-intitulado shun de virgem, em qualquer lugar, sob quaisquer condies. cavaleiros e servos viram aquele pedido como uma cilada para a execuo de uma vingana por ter sido derrotado anos atrás.
era to fácil encontrar uma pessoa antes de tornar-se um cavaleiro de ouro... bastava telefonar ou mandar uma carta para marcar local e data. iriam para qualquer lugar, dentro ou fora da cidade, talvez um estabelecimento onde pudessem tomar um café e comer um lanche ou doce. ninguém precisava saber de nada, nem relatorios seriam escritos. bastava um dia sair de casa e ir ao local combinado.
sorento já havia deixado de ser um inimigo há quase dez anos. conquistara certa fama com a ajuda de julian solo e seu talento musical, apresentara-se para lideres politicos sem jamais ter tido a necessidade de revelar sua identidade de guerreiro. havia viajado pelo mundo inteiro tocando sua flauta para pessoas que nunca tiveram a oportunidade de pisar em um auditorio, consolando todas as vitimas da enchente causada por poseidon.
no entanto, quando o ex-marina desejou contatar shun, todo o santuário se mostrou apreensivo e quis impor condies absurdas no encontro — como realizá-lo no meio de um deserto para que nenhum inocente acabasse envolvido num possivel confronto. shun teve de usar um tom de autoridade, ao qual ainda no estava acostumado, para deixar claro que no havia risco algum. sua deciso foi apoiada por saori, e a reunio, depois de duas semanas desde a mensagem de sorento, finalmente foi decidida.
foi a um dos restaurantes mais caros da cidade. saori no so insistiu para fazer o encontro lá, como também se responsabilizou pela conta. consequentemente, shun precisou caar seu terno no fundo do armário para no passar vergonha. no topo de trinta andares, com viso para a cidade de atenas, sentiu-se um alien naquele espao, pois no estava mais habituado a seguir saori nos jantares com empresários pela fundao grado, bancando o guarda-costas.
sorento chegou na hora exata, carregando uma maleta e acompanhado de uma moa magra e baixa, com traos delicados. ela cumprimentou-o em grego, de forma timida, antes de sentar-se na cadeira oferecida pelo ex-marina, que a tratava com especial zelo, tornando explicita a relao dos dois. o nome dela era stella, sua esposa. shun até questionou se devia ter chamado sua namorada june para vir também.
"finalmente nos encontramos. como é dificil marcar uma hora com o famoso shun de virgem", comentou sorento, sorrindo.
"desculpe a demora. tive alguns problemas… lá no trabalho."
"sei. um ex-marina quer encontrar-se com seu antigo oponente. todos devem ter pensado que haveria uma nova batalha de poseidon e comearam a te pressionar para preparar-se para um confronto, estou errado?"
"está certo, mas… está tudo bem tratar desse assunto aqui?"
"e qual é o problema?"
"nenhum, mas… sua esposa sabe?"
" logico que sabe. no existem segredos entre nos."
"mas fiquei muito surpresa no dia em que sorento me salvou de alguns ladres", comentou stella. "nem imaginava que ele soubesse lutar to bem."
"sim, ele luta muito bem", concordou shun. "quase me matou uns anos atrás. literalmente."
"e vocês no têm nenhum ressentimento por isso?"
"todo guerreiro tem que ter responsabilidade por seus atos. ninguém vai pra guerra esperando que no tentem matá-lo. nos apenas acreditávamos em coisas diferentes na época, o que no impede duas pessoas de se darem bem um dia. fiquei to contente por receber a mensagem, e mais feliz estou por poder te conhecer; de novo devo dizer que é um grande prazer."
"o
igada, shun."
stella parecia sorrir mais agora. talvez estivesse amedrontada com a possivel reao de um homem que já havia lutado contra o seu marido. sorento já checava o cardápio, por isso shun resolveu fazer os pedidos. aquele simples ato deu-lhe uma enorme sensao de paz, como se no houvesse nenhum confronto no mundo inteiro. sentia-se to bem depois de ver o garom se afastando.
"poder dividir uma mesa com um ex-inimigo e sua parceira… é muito bom, de verdade."
"e nosso filho", disse sorento. "ainda está dentro dela."
"no
inca, é verdade? meus parabéns! eu nunca desconfiaria apenas olhando."
"entrei no terceiro mês há pouco tempo", contou stella, "mas já está comeando a aparecer."
"isso é mesmo maravilhoso. se eu soubesse antes, teria trazido uma lem
ana o bebê. sorento, me passe seu endereo depois, eu quero conhecer seu futuro filho ou filha."
"claro. mas apenas sua alegria já é um presente para nos. e por falar em presente, eu tenho um para você."
e shun se arrependeu por no ter lem
ado de levar nada a sorento. chegara a considerar um presente para seu ex-inimigo, mas era uma situao to peculiar que no sabia como se comportar. afinal, na ultima vez que se viram, tentaram se matar.
"desculpe, eu devia ter trazido algo para você também."
"no entenda mal, shun. este no é um presente pela ocasio."
"como assim?"
"apenas aproveite."