1. Chapter 1 (1/2)

O Perdo de Uma Me YKT 39320K 2021-08-04

pisar na bola um milho de vezes. tirar zero em todas as provas finais da escola. usar drogas. andar com más influências. chegar tarde em casa todo dia.

uma palavra. no precisa nem ser sincera.

"desculpe."

e nossas mes sempre nos perdoam. por pior que seja, elas perdoam tudo. algumas sorriem; outras a

aam o filho. e mesmo aquelas que simplesmente do as costas perdoam.

mello sentiu as pálpe

as pesarem ao pensar nisso.

talvez fosse por isso que ele fazia tantas coisas ruins. talvez ele pensasse que, quanto mais se escondesse atrás de pecados, uma me apareceria, esperando a palavra que servia de comando para perdoá-lo.

mas ela no aparecia. nunca.

quem sabe, ele pensava, levemente desesperado, eu já tenha ultrapassado o limite. acho que no mereo mais ser perdoado, já extrapolei demais.

s vezes, contava nos dedos tudo o que já tinha feito de ruim. socar um monte de gente, responder grosseiramente à um monte de gente, gritar com um monte de gente, humilhar um monte de gente, torturar um monte de gente, matar um monte de gente.

"passei do limite. passei!", concluia, vendo que no tinha saida.

mas no se permitia pensar que uma me que, um dia, poderia tê-lo perdoado, nunca tivesse existido. queria acreditar que alguém já havia lhe dado amor.

surpreso, percebia seu gesto de quase gentileza, guardando a culpa para si.

"quem foi que me ensinou a ser assim?", indagava para o vazio. no faz sentido.

"mello é gentil. naturalmente gentil." experimentou o som das silabas. parecia um paradoxo incrivelmente ridiculo; prometeu-se que nunca contaria isso a ninguém.

um dia, resolveu ser poético, agir como um protagonista heroico de uma historia bonita. "no tenho me", observou. um bom pré-requisito para tentar tornar-se um.

olhou as pessoas à sua volta, procurando uma garota, uma mulher, uma senhora; qualquer uma que pudesse vestir uma imagem carinhosa e atender pela alcunha de me, sem se dar conta de que, normalmente, se sentiria humilhado por ter uma idéia to boba.

resolveu testar uma. uma jovem graciosa atendendo em uma loja de artigos musicais.

dirigiu-se para entrada, sentindo-se estranhamente influente e cheio de poder. ele avaliaria alguém, seria exigente; a pessoa nem mesmo perceberia.

entrou na loja, sentindo o ar condicionado bater nos seus om

os; com uma expresso interessada, mirou uma estante de discos.

pelo canto do olho, viu a garota alinhar os om

os, estampar um sorriso no rosto e caminhar até ele, esperanosa.

- posso ajudá-lo? – surpreendeu-se com a voz dela; era doce, sincera. uma voz de pessoa, de ser humano, e no de uma vendedora. vendedoras despiam-se de sua humanidade quando estavam em servio; perdiam a personalidade, restando apenas frieza polida.

refez-se rapidamente, cruelmente chamando-a de "muito experiente".

- estou apenas olhando. – respondeu, fitando as mangas de sua camisa bem passada, formal com inteno de parecer coloquial, a curva dos seios que se desenhava suavemente embaixo do suéter cor de vinho.

- se precisar de algo, basta me chamar. – um sorriso. também parecia genuino.

observou-a voltar para o seu mirante estratégico, em um canto da loja. os cabelos estavam presos em um coque levemente desarrumado, e

ilhavam sob a luz amarelada das lmpadas.

comoveu-se; tudo nela parecia puro. ele estava sendo irracional, malicioso, perverso: o que diabos pensava em fazer caso a aprovasse? bloqueou um turbilho de sugestes mentais que previa serem nada simpáticas, voltando a fitar os discos meticulosamente organizados.

um deles chamou sua ateno, mas ele no ousou tocá-lo; sentia que no devia macular a perfeio daquela sequência. e se tivesse sido aquela jovem a arrumá-los exaustivamente? no, mello definitivamente no estragaria o seu trabalho. talvez isso pudesse fazer com que ele se redimisse.

arriscou um olhar de soslaio. outras duas garotas haviam aparecido, vestidas exatamente como a jovem. cochichavam animadamente com ela, rindo de forma discreta. em um momento, a que atendera mello virou-se, de costas para ele, e gesticulou estranhamente na direo de uma guitarra.

ajeitando as luvas, mello decidiu ir embora. sabia que a jovem provavelmente nunca se lem

aria dele, mas ele se lem

aria dela. e resolveu que queria apenas escutar um pouco da conversa normal de uma garota tranquila com a vida.

deu alguns passos para o lado, ainda observando os produtos. conseguiu escutar alguns fragmentos de palavras. nervoso, mas consciente de que nenhuma das três devia estar percebendo, avanou mais.

- ...quero dizer, o que será que pode causar uma cicatriz horrorosa como aquela? cido?